
Ronaldo Loyola, da Loyola HR Consulting, esteve entre outros convidados no Painel RH + I.A que reuniu profissionais de RH, psicologia e consultoria para debater retenção e cultura na era da inteligência artificial.
Maringá (PR), julho de 2026 - O Mixtra, uma empresa do DB1 Group, promoveu no dia 16 de julho o Painel RH + I.A, encontro que reuniu executivos de RH para debater como as empresas podem absorver a inteligência artificial sem perder cultura, propósito e vínculo com as pessoas. Realizado em parceria com o podcast Na Trincheira, o evento aconteceu no Lumino Park, em formato híbrido, com 40 participantes presenciais e transmissão on-line ao vivo.
Conduzido por Rafael de Paula, host do Na Trincheira e coordenador de Gestão de Pessoas na DB1 Group, o painel partiu de uma provocação central: a IA transforma processos em ritmo exponencial, mas cultura, comportamento e confiança continuam se transformando em velocidade humana. A partir daí, os participantes trocaram experiências práticas sobre retenção de talentos, saúde mental, ética e o papel da liderança nessa transição.
Um debate sobre o que não muda quando tudo muda
O tom da conversa foi dado logo na abertura: em meio à corrida por novas ferramentas, o desafio das áreas de gestão de pessoas não é apenas tecnológico, é humano. Os painelistas convergiram na ideia de que a tecnologia muda tarefas e processos, mas não substitui a cultura organizacional, o senso de propósito e o vínculo das pessoas com o trabalho.
"A inteligência artificial é uma ferramenta. O desafio que ela coloca para as pessoas é de adaptação e superação", afirmou Rafael de Paula.
Cultura, valores e retenção na era da IA
Para Ronaldo Loyola, sócio-fundador da Loyola HR Consulting e executivo com mais de 35 anos de experiência corporativa, a retenção raramente tem causa única. Antes, as pessoas deixam as organizações pelo acúmulo de experiências e pela incoerência entre o que a empresa declara e o que pratica. Ele defendeu que a IA não substitui o humano, mas altera o tipo de entrega que o mercado espera das pessoas, valorizando o que não é automatizável: confiança, ética, empatia e a capacidade de decidir e inspirar.
"A velocidade da tecnologia é exponencial, mas a velocidade da cultura continua sendo humana", disse Ronaldo Loyola.
"As pessoas não resistem à tecnologia, elas resistem ao medo de perder relevância. Por isso, implantar IA é também um projeto de gestão de pessoas, não apenas de TI", completou o consultor.
O case de uma empresa "IA First" e "People First"
Jean Baldaia, analista de Inovação e Sustentabilidade da TecnoSpeed, empresa de tecnologia sediada em Maringá-PR, compartilhou como a companhia incorporou a IA ao dia a dia. Em vez de tratar a tecnologia como ameaça, a empresa passou a incentivá-la abertamente como aliada, criando um desafio interno com bonificação e premiação para ideias e automações propostas pelos próprios colaboradores, de todas as áreas.
"A gente vê a pessoa antes da IA. Enxergamos a IA como aliada do profissional. Afinal, um martelo sem ninguém para usá-lo é apenas um pedaço de ferro", afirmou Jean Baldaia.
Segundo ele, os quatro valores que a TecnoSpeed chama de "molho especial", que são colaboração, confiança, proatividade e conhecimento, foram o que permitiu adotar a tecnologia sem quebra de confiança. "Pessoas e processos não são conflitantes: os processos existem para as pessoas e por causa delas", resumiu.
Saúde mental, medo e os limites da tecnologia
Matheus Riegler de Sousa, psicólogo da Prisma Psicologia, trouxe a perspectiva da saúde mental. Para ele, o medo diante da mudança é natural, mas se intensifica quando existem lacunas de comunicação. A segurança vem da clareza sobre propósito, papéis e futuro. O psicólogo também alertou para riscos concretos do uso indiscriminado da IA, como a intensificação da carga de trabalho, fator associado ao burnout, e o "atrofiamento" de funções cognitivas como atenção e raciocínio.
"O centro de gravidade das discussões precisa estar no ser humano, não na tecnologia", afirmou Matheus Riegler de Sousa.
"Nada garante que a IA seja blindada do machismo ou do etarismo, porque ela reproduz a nossa sociedade. Essa responsabilidade é humana", ponderou o psicólogo, ao comentar o uso de IA em recrutamento e seleção.
Ética, liderança e o papel do RH
Na sessão de perguntas, presencial e pelo chat, o público levantou temas como a integração consciente da IA, o equilíbrio entre produtividade e desenvolvimento profissional e a ética em recrutamento e seleção. Houve consenso de que a decisão sobre pessoas não pode ser delegada a algoritmos e de que o papel da liderança e do RH é insubstituível: cabe a eles transformar dados em diálogo e diálogo em comportamento. Como sintetizou Ronaldo Loyola, "a IA pode selecionar candidatos, mas continua sendo a inteligência humana que escolhe pessoas".